E de boteco
Em boteco
De batuque
Em batuque
Acabo descobrindo
Pelos seios
E pelas bundas
Que ardentemente
Desejo
E o futebol
Quentrum e outro lance
Cortejo
Sou um brasileiro
Também...!
Sunday, December 09, 2007
/O Vazio/
(-----------------------------)
;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;
...............................
???????????????????????????????
(-----------------------------)
(--) (--)
! !
? ?
... ...
(--------)
Você já viu um vazio?
...Tão cheio de NADA ?!?!
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...............................
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(--) (--)
! !
? ?
... ...
(--------)
Você já viu um vazio?
...Tão cheio de NADA ?!?!
Recordação
As ruas do meu bairro não tem asfalto
Mas as crianças brincam
Brincam alegres pelas ruas de barro batido
Meu coração não é calçado de paixões
Mas nele há frívolas felicidades
Que saltitam de ventrículo à ventrículo
Como crianças,
...As de meu bairro!
Mas as crianças brincam
Brincam alegres pelas ruas de barro batido
Meu coração não é calçado de paixões
Mas nele há frívolas felicidades
Que saltitam de ventrículo à ventrículo
Como crianças,
...As de meu bairro!
Solidão - Profissão de Fato
Todos me dão consolo
Tenho meus amigos
Tdos me advertem
Tenho meus conselheiros
Todos me comovem
Tenho meus sentimentos
Mas hoje hoje
Quero estar só
Preciso estar só
Porque estou cansado
De ter meus amigos
Que me questionam
De ter meus conselheiros
Que me orientam
De ter meus sentimentos
...Que me destróem...
Tenho meus amigos
Tdos me advertem
Tenho meus conselheiros
Todos me comovem
Tenho meus sentimentos
Mas hoje hoje
Quero estar só
Preciso estar só
Porque estou cansado
De ter meus amigos
Que me questionam
De ter meus conselheiros
Que me orientam
De ter meus sentimentos
...Que me destróem...
A Arte de Espacejar
E S P A C E J A R !
Quebrar o
E
S
P
A
Ç
O...
D
i
v
i
d
i
r
EM TRÊS
E S P A C E J A N D O
A N D O
E S P A C E J A N D O
Quebrar o
E
S
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v
i
d
i
r
EM TRÊS
E S P A C E J A N D O
A N D O
E S P A C E J A N D O
Liberdade
Mesmo
Que destruam
Meus lábios
Que clamam Justiça
Não conseguirão
Jamais
Abafar meu coração
Que geme
Em cada batida:
Li
Ber
Da
De
Li
Ber
Da
De
Que destruam
Meus lábios
Que clamam Justiça
Não conseguirão
Jamais
Abafar meu coração
Que geme
Em cada batida:
Li
Ber
Da
De
Li
Ber
Da
De
Humaniteiros Suplementares
E o dia
Raia sobranceiro
Parido no seio
Da noite escura
No berço concupiscente
Do amor dos Homens/Mulheres
Mais mortos
Que vivos
Mal-dormidos
Rotineirizados
Com coisas que sempre acontecem de novo
Andando
Andando
Acelerando
Correndo
Dormindo
Ensaiando a morte
Morrendo...!
Raia sobranceiro
Parido no seio
Da noite escura
No berço concupiscente
Do amor dos Homens/Mulheres
Mais mortos
Que vivos
Mal-dormidos
Rotineirizados
Com coisas que sempre acontecem de novo
Andando
Andando
Acelerando
Correndo
Dormindo
Ensaiando a morte
Morrendo...!
Humaniteiros Complementares
A noite chegou
Claridade submersa
Em negro de fumo
A cidade
Sobrechenho enrrugado
Olhos verde/cinza
...Cerrados......
...Fechados......
...Lacrados......
A NOTURNA HIPERBÓLICA IMAGEM
(Do quarto ausente de luz com Homem/Mulher esparramados
Nela sob os lençóis brancos)
Andando
Andando acelerado
Correndo esbaforida
REALIZA-SE NUM MORRER ROTINEIRO
QUANDO NASCER OUTRO DIA.
Claridade submersa
Em negro de fumo
A cidade
Sobrechenho enrrugado
Olhos verde/cinza
...Cerrados......
...Fechados......
...Lacrados......
A NOTURNA HIPERBÓLICA IMAGEM
(Do quarto ausente de luz com Homem/Mulher esparramados
Nela sob os lençóis brancos)
Andando
Andando acelerado
Correndo esbaforida
REALIZA-SE NUM MORRER ROTINEIRO
QUANDO NASCER OUTRO DIA.
Humaniteiros
O sol
Cidade abrindo os sobrolhos
Homem andando
Andando acelerado
Correndo
Ainda dormindo
De rosto Murchado
Que se espanta
Se excita
Com a água fria
Límpida pura,
...Que também corria
O homem
Deixa seu lar
Pisoteia a cidade
Inerte
Abandonada
Pó
Só pó
Sujo
Em toda a estrada
Comprida
Longa
Imensa
Ilimitada
..............................
Vibram na terra
Abrem buracos
Trituram pedras
As pedras duras
E as poedras fracas
...Coitados!
...Coitadas!
..............................
A cidade
De corpo lasso
Morrediço
O homem
De carne sensual
Finito, passadiço
Não passa disso
O dia
Passa com o sol
Que morre no horizonte eqüóreo
Do mar perverso
O homem
Abandona o corpo
Cansado
No catre:
Dinheiro no bolso
Estômago cheio
Mulher do lado
Ambos mortos
...Cansados!
...Casados!
Cidade abrindo os sobrolhos
Homem andando
Andando acelerado
Correndo
Ainda dormindo
De rosto Murchado
Que se espanta
Se excita
Com a água fria
Límpida pura,
...Que também corria
O homem
Deixa seu lar
Pisoteia a cidade
Inerte
Abandonada
Pó
Só pó
Sujo
Em toda a estrada
Comprida
Longa
Imensa
Ilimitada
..............................
Vibram na terra
Abrem buracos
Trituram pedras
As pedras duras
E as poedras fracas
...Coitados!
...Coitadas!
..............................
A cidade
De corpo lasso
Morrediço
O homem
De carne sensual
Finito, passadiço
Não passa disso
O dia
Passa com o sol
Que morre no horizonte eqüóreo
Do mar perverso
O homem
Abandona o corpo
Cansado
No catre:
Dinheiro no bolso
Estômago cheio
Mulher do lado
Ambos mortos
...Cansados!
...Casados!
Thursday, November 08, 2007
GRITAÇÃO *
Em minha terra,
Não há homens
Que falem
Sem murmúrios de vozes
Que repitam,
Em rápidos discursos,
Em ecos dispersos:
- Faremos!
- Faremos!
Em minha terra,
Contudo,
Niguém faz nada,
Embora muitos
Gritem!
*Original em espanhol
Não há homens
Que falem
Sem murmúrios de vozes
Que repitam,
Em rápidos discursos,
Em ecos dispersos:
- Faremos!
- Faremos!
Em minha terra,
Contudo,
Niguém faz nada,
Embora muitos
Gritem!
*Original em espanhol
BARAFUSTE*
Andei,
Com cuidado felino,
Dilatando os poros limpos
Limpos de som
Num so solfejo:
Crac-crac-crac-crac-crac-crac…
Espírito de porco!
Quebrou meu ritmo,
Com um contra-baixo,
Contra-mão
Contra-cultura
Contra-producente
Contra-poluição.
Desandei a andar,
Sem rumo,
Contra nada e
Contra tudo
A gritar desesperado:
- Parem,
Quero silêncio,
Porque tenho um encontró marcado
Comigo mesmo!
Parem,
Com este barulho infernal!
Parem, por favor!
*Finalista do Festival de Poesias de Parnavaí/PR
FEMUP 1978
Com cuidado felino,
Dilatando os poros limpos
Limpos de som
Num so solfejo:
Crac-crac-crac-crac-crac-crac…
Espírito de porco!
Quebrou meu ritmo,
Com um contra-baixo,
Contra-mão
Contra-cultura
Contra-producente
Contra-poluição.
Desandei a andar,
Sem rumo,
Contra nada e
Contra tudo
A gritar desesperado:
- Parem,
Quero silêncio,
Porque tenho um encontró marcado
Comigo mesmo!
Parem,
Com este barulho infernal!
Parem, por favor!
*Finalista do Festival de Poesias de Parnavaí/PR
FEMUP 1978
SILÊNCIO
O silêncio sissia
Aos teus ouvidos
Palavras surdas
Ou cheias de sibilos
SSS.SSS.SSS.
Ouve e cede silente,
A lei máxima do silêncio,
Que diz:
NÃO PERTURBA,
DEIXA-ME FICAR MUDO…
Porque sou o silêncio!
SSS.SSS.SSS.
Aos teus ouvidos
Palavras surdas
Ou cheias de sibilos
SSS.SSS.SSS.
Ouve e cede silente,
A lei máxima do silêncio,
Que diz:
NÃO PERTURBA,
DEIXA-ME FICAR MUDO…
Porque sou o silêncio!
SSS.SSS.SSS.
ENSAIO/ESTUDO/MOVIMENTO NÚMERO 03
Silêncio,
É noite e todos dormem,
Num ensaio geral para o sono eterno!
Por uma janela
(Espaço aberto para um quarto oco e enorme)
Um só homem só,
Numa solidão só sua,
Espreita para o mundo
Que dorme silencioso,
Despido de sonhos e ideais
Mas latentemente pleno
De espaços que espreitam
Aquele homem só!
Afinal quem espreita quem?
O homem espreita o mundo,
Só,
De sua janela (porosa).
E o mundo em sua vaporosa imensidão
Espreita o homem tão
Só
(Em sua solidão).
A estrelas pestanejam,
Piscam, retremulam
Bruxuleantes
Perdidas num espaço quase infinito.
E o homem (de sua janela)
Almeja tocá-las com as pontas tentaculares
De seu pensamento infinito…
Ninguém se toca,
Quedam-se todos,
Incluso o homem só,
Atrás da janela de ferro e vidro
Enquanto no azul-escuro, quase negro-puro
Com que a noite acolhe a imensidão do espaço
Tremulam,
Vagueiam
E se agitam
As estrelas tão sós
Que acabam se dissolvendo à custa do sol que nasce!
São os días e as angústias de todos,
Que ressurgem!
As estrelas,
O sol,
E o homem
Têm em comum:
Nascimento,
Morte,
Vida.
Entre os dois pontos distintos e distantes
Nessa ciclópica natureza
Que de certeza
Apenas, todos os días,
Se refaz e …
Desfaz!
É noite e todos dormem,
Num ensaio geral para o sono eterno!
Por uma janela
(Espaço aberto para um quarto oco e enorme)
Um só homem só,
Numa solidão só sua,
Espreita para o mundo
Que dorme silencioso,
Despido de sonhos e ideais
Mas latentemente pleno
De espaços que espreitam
Aquele homem só!
Afinal quem espreita quem?
O homem espreita o mundo,
Só,
De sua janela (porosa).
E o mundo em sua vaporosa imensidão
Espreita o homem tão
Só
(Em sua solidão).
A estrelas pestanejam,
Piscam, retremulam
Bruxuleantes
Perdidas num espaço quase infinito.
E o homem (de sua janela)
Almeja tocá-las com as pontas tentaculares
De seu pensamento infinito…
Ninguém se toca,
Quedam-se todos,
Incluso o homem só,
Atrás da janela de ferro e vidro
Enquanto no azul-escuro, quase negro-puro
Com que a noite acolhe a imensidão do espaço
Tremulam,
Vagueiam
E se agitam
As estrelas tão sós
Que acabam se dissolvendo à custa do sol que nasce!
São os días e as angústias de todos,
Que ressurgem!
As estrelas,
O sol,
E o homem
Têm em comum:
Nascimento,
Morte,
Vida.
Entre os dois pontos distintos e distantes
Nessa ciclópica natureza
Que de certeza
Apenas, todos os días,
Se refaz e …
Desfaz!
POEMA COM TEXTO I
(Contesto)
América Latrina
Pára isso (digo),
Paraíso dos
AMERIKKKKKKKANOS
Canos
Que fizeram de ti,
Minha América querida
Viras-te latrina
Minha América Latina?
América Latrina
Pára isso (digo),
Paraíso dos
AMERIKKKKKKKANOS
Canos
Que fizeram de ti,
Minha América querida
Viras-te latrina
Minha América Latina?
CURITIBA
Um café,
Um cigarro,
Um café,
Um cigarro,
AH! Curitiba…
Cidade-sorriso
Oparaíso do café…
E do cigarro!
Um cigarro,
Um café,
Um cigarro,
AH! Curitiba…
Cidade-sorriso
Oparaíso do café…
E do cigarro!
BALADAS PARA DIAS E NOITES
Quantos segredos secretos
Não repousam no colo escuro
Da noite calada e negra ?
E é no útero noturno
Que são gerados
Os meus, os teus,
Os nossos filhos,
E os filhos, dos filhos, dos filhos…
Que sonhos seu mantos escuro
Não acalentará ?
Quantos anseios
Que um dia morrerão
Ao raiar de um sol
Numa madrugada chocante?
É na noite escura, na cama,
Na laje molhada de sereno e mijo
Que se fabricam
Os sonhos,
Os medos
As verdades
E os amanhãs venturosos
Que nunca conseguem
Erguer-se com o sol !
É sempre em seu ventre que são gerados
E ali mesmo, consumidos,
Novamente o são.
Nutre-se a noite
Da vã esperança
De que a manhã
Amanhã
Vai raiar outro sol.
E raia o sol formoso
E segue-lhe a noite
E vem outro dia
Num moto contínuo de dias, de noites,
De noites, de dias,
Que nunca terminam
Mas sempre se dão
É a graça da vida,
Gerada e movida,
Na esperança, no acaso,
No eterno recomeçar !
Não repousam no colo escuro
Da noite calada e negra ?
E é no útero noturno
Que são gerados
Os meus, os teus,
Os nossos filhos,
E os filhos, dos filhos, dos filhos…
Que sonhos seu mantos escuro
Não acalentará ?
Quantos anseios
Que um dia morrerão
Ao raiar de um sol
Numa madrugada chocante?
É na noite escura, na cama,
Na laje molhada de sereno e mijo
Que se fabricam
Os sonhos,
Os medos
As verdades
E os amanhãs venturosos
Que nunca conseguem
Erguer-se com o sol !
É sempre em seu ventre que são gerados
E ali mesmo, consumidos,
Novamente o são.
Nutre-se a noite
Da vã esperança
De que a manhã
Amanhã
Vai raiar outro sol.
E raia o sol formoso
E segue-lhe a noite
E vem outro dia
Num moto contínuo de dias, de noites,
De noites, de dias,
Que nunca terminam
Mas sempre se dão
É a graça da vida,
Gerada e movida,
Na esperança, no acaso,
No eterno recomeçar !
PARA OS CAMPOS
“Sempre que estive entre os homens,
Menos homem voltei”
Sêneca
Saíam
Bandos e bandos
De retirantes fugitivos
Da cidade grande
Para todos “los campos
De my América campesina”
Abandonaram
“Slums” e guetos
Pra se refugiar sob os azuis tetos
Da natureza:
Meca de toda “my America morena”
“Pero hubo algunos
Que no eram hombres campesinos
Que de la vida
Poco,casi nada sabiam
E por eso se quedarón
Por entre las ruinas
De la ciudad de hierro”:
ENFERRUJADOS ¡
Menos homem voltei”
Sêneca
Saíam
Bandos e bandos
De retirantes fugitivos
Da cidade grande
Para todos “los campos
De my América campesina”
Abandonaram
“Slums” e guetos
Pra se refugiar sob os azuis tetos
Da natureza:
Meca de toda “my America morena”
“Pero hubo algunos
Que no eram hombres campesinos
Que de la vida
Poco,casi nada sabiam
E por eso se quedarón
Por entre las ruinas
De la ciudad de hierro”:
ENFERRUJADOS ¡
ESCALA
Homem-som
(Música-choro-lágrimas)
Homem-sonho
(Alegria-tristeza-vida)
Homem-sombra
(Esguias-tenebrosas-anoitecedoras)
Gira em torno do sol
(Astro-rei)
Homem-cinza
(Pó-poeira-vento)
Homem-água
(Mineral-seiva bruta-Elaborada)
Homem-cal
(Calcáreo-cal virgem-impura)
Homem-bom
(Amante-pai-filho)
Homem-constante]
(leigo-mestre-aluno)
Não será por ventura
Homem-americano
Simples demais e mortal?
(Música-choro-lágrimas)
Homem-sonho
(Alegria-tristeza-vida)
Homem-sombra
(Esguias-tenebrosas-anoitecedoras)
Gira em torno do sol
(Astro-rei)
Homem-cinza
(Pó-poeira-vento)
Homem-água
(Mineral-seiva bruta-Elaborada)
Homem-cal
(Calcáreo-cal virgem-impura)
Homem-bom
(Amante-pai-filho)
Homem-constante]
(leigo-mestre-aluno)
Não será por ventura
Homem-americano
Simples demais e mortal?
A REVERSA ! O REVERSO !
De sua poesia E a poesia encheu
O reverso Seu coração latino
Gerou no papel em branco Vazio
E invertidas, Coisas amorfas
Coisas amorfas. E invertidas
Vazio, Gerou no papel em branco
Seu coração latino O reverso
E a poesia encheu De sua poesia
O REVERSO ! A REVERSA !
O reverso Seu coração latino
Gerou no papel em branco Vazio
E invertidas, Coisas amorfas
Coisas amorfas. E invertidas
Vazio, Gerou no papel em branco
Seu coração latino O reverso
E a poesia encheu De sua poesia
O REVERSO ! A REVERSA !
O TRÓPICO DE CÃNCER E O CALOR
Esbravejou contra o sol
Causticante !
Esbravejou contra o trópico
De câncer !
Esbravejou nordestes
Nobre, pobre!
Como se, então, o sol deixasse de brilhar,
Por isso !
Causticante !
Esbravejou contra o trópico
De câncer !
Esbravejou nordestes
Nobre, pobre!
Como se, então, o sol deixasse de brilhar,
Por isso !
FLUMINENSIS
“Muxuango”
Homem-terra
Homem-mar
Caboclo de braços abertos
Cabeças com olhares tristes
Olhos de quem só sabe chorar
Da testa reta crescem
Monstros Suores
Que lhe escorrem pela face nobre
Vai, “muxuango”,
Cumprir teu destino americano.
Deixa vir ao “mocorongo”
Das montanhas o incrível habitante
Que visita a baixada fluminense.
Deixa entrar por todos os meus poros
Este raro espécime
De “homo brasiliensis” !
Homem-terra
Homem-mar
Caboclo de braços abertos
Cabeças com olhares tristes
Olhos de quem só sabe chorar
Da testa reta crescem
Monstros Suores
Que lhe escorrem pela face nobre
Vai, “muxuango”,
Cumprir teu destino americano.
Deixa vir ao “mocorongo”
Das montanhas o incrível habitante
Que visita a baixada fluminense.
Deixa entrar por todos os meus poros
Este raro espécime
De “homo brasiliensis” !
CANGACEIRO
Êta,
Que a firmeza no laço
Faz o forte
Faz o braço
Do homem quente
Sob o sol ardente
Êta,
“Selvático e feroz”
Cangaceiro
Que é forte, sobranceiro
Sob o trópico solar
Que lhe aquece
Inverno, outono e primavera
Que sob o sol do verão
Sobretudo
O Faz estrilar
Arda, pois, a seca
Como eterna chama
Neste coração de ouro]
Que o sol queimou
E transformou
Moreno e quente e pleno]
Em coração de cangaceiro !
Que a firmeza no laço
Faz o forte
Faz o braço
Do homem quente
Sob o sol ardente
Êta,
“Selvático e feroz”
Cangaceiro
Que é forte, sobranceiro
Sob o trópico solar
Que lhe aquece
Inverno, outono e primavera
Que sob o sol do verão
Sobretudo
O Faz estrilar
Arda, pois, a seca
Como eterna chama
Neste coração de ouro]
Que o sol queimou
E transformou
Moreno e quente e pleno]
Em coração de cangaceiro !
O SERTANEJO
Toca boi, vai em frente
O forte homem
Manejando a boiada,
Vaquejando a manada
Em terra dura
Em poeira crua
Batendo o casco na estrada
Vai construir teu lar
Lá onde “dobram os sinos”
E os caminhos
Os mesmo sinos
Que batem agudos
Aos teus ouvidos
Que são teu eterno sonhar
Planta aqui tua morada,
Do mesmo lado do coração
No canto esquerdo da estrada !
O forte homem
Manejando a boiada,
Vaquejando a manada
Em terra dura
Em poeira crua
Batendo o casco na estrada
Vai construir teu lar
Lá onde “dobram os sinos”
E os caminhos
Os mesmo sinos
Que batem agudos
Aos teus ouvidos
Que são teu eterno sonhar
Planta aqui tua morada,
Do mesmo lado do coração
No canto esquerdo da estrada !
SERINGUEIRO
O Amazonas voluptil, volátil, circula,
E às suas margens verdejantes,
Incorpora o sorriso doido
De um seringueiro:
“Perdulário paisagista”
De uma floresta só sua.
Seringa, seringueiro, seringa !
Que teu destino é seringar
Na beira do rio que corre
Na beira do rio é beira
Do rio que corre pro mar !
E às suas margens verdejantes,
Incorpora o sorriso doido
De um seringueiro:
“Perdulário paisagista”
De uma floresta só sua.
Seringa, seringueiro, seringa !
Que teu destino é seringar
Na beira do rio que corre
Na beira do rio é beira
Do rio que corre pro mar !
O GAÚCHO
Em cada
Estria dormente
Em cada
Coxilha ardente
Havia um gaúcho perdido
“Mucho triste
Pera se impienir
De versos estranjeros.
Solo es um americano
Que hace um solo
Por sobre las campinas
Del sur de my pais Guarany”
País que chora
Em, cada gota de orvalho
Sempre uma mesma melodia:
AMÉRICA !
AMÉRICA !
AMÉRICA !
Estria dormente
Em cada
Coxilha ardente
Havia um gaúcho perdido
“Mucho triste
Pera se impienir
De versos estranjeros.
Solo es um americano
Que hace um solo
Por sobre las campinas
Del sur de my pais Guarany”
País que chora
Em, cada gota de orvalho
Sempre uma mesma melodia:
AMÉRICA !
AMÉRICA !
AMÉRICA !
COMO FEIJOADA BRASILEIRA
Uma feijoada caseira
Uma mesa rústica
Um sol brasileiro
(dos tímidos de inverno)
Depois
O descanso na rede
Ao lado da casa paterna.
Saudades !
Herança terna de um coração latino
Que chora de amor !
Que chora lágrimas de sangue,
Não um sangue azul
De nobre europeu,
Mas um sangue vermelho
De tristeza nacional !
Depois de tudo
Sorver a “cerveza helada”
No programa de fim de noite:
Na boate,
No bar da esquina,
No batuque que anima
....ou girando a “caranga”
Pela cidade pequena,
Buzinando apressado na rua silenciosa.
Ou silencioso, pelo centro atribulado,
Repleto de gente de cara gozada,
Achatada nos pólos,
Sorriso gigante
Olhar larguividente
Prescrutador de povo de vila,
De sítio,
Mas gente, sobretudo,
Gente amiga e constante.
E tudo acaba bem onde começou
Com uma feijoada brasileira,
Caseira,
Num almoço, onde sentam ao meu lado,
Comensais mais que bem-vindos,
TODO NOSSO POVO LATINO!
Uma mesa rústica
Um sol brasileiro
(dos tímidos de inverno)
Depois
O descanso na rede
Ao lado da casa paterna.
Saudades !
Herança terna de um coração latino
Que chora de amor !
Que chora lágrimas de sangue,
Não um sangue azul
De nobre europeu,
Mas um sangue vermelho
De tristeza nacional !
Depois de tudo
Sorver a “cerveza helada”
No programa de fim de noite:
Na boate,
No bar da esquina,
No batuque que anima
....ou girando a “caranga”
Pela cidade pequena,
Buzinando apressado na rua silenciosa.
Ou silencioso, pelo centro atribulado,
Repleto de gente de cara gozada,
Achatada nos pólos,
Sorriso gigante
Olhar larguividente
Prescrutador de povo de vila,
De sítio,
Mas gente, sobretudo,
Gente amiga e constante.
E tudo acaba bem onde começou
Com uma feijoada brasileira,
Caseira,
Num almoço, onde sentam ao meu lado,
Comensais mais que bem-vindos,
TODO NOSSO POVO LATINO!
INQUÉRITO
Perante Sua Excelência
Aqui se firmam
Pedindo divórcio deste mundo cruel,
José Maria Aparecido Americano,
Casado, Nacional,
Filho do Mundo sob o trópico de Câncer,
E a parte litigiante
Maria de Assunción Cuevas
Que, de ora em diante,
Será denominada:
SAUDADES !
Aqui se firmam
Pedindo divórcio deste mundo cruel,
José Maria Aparecido Americano,
Casado, Nacional,
Filho do Mundo sob o trópico de Câncer,
E a parte litigiante
Maria de Assunción Cuevas
Que, de ora em diante,
Será denominada:
SAUDADES !
AMERICANO
Não me estranhes
Se tenho cheiro ocre
Em minha pela morena
Porque sou o caminheiro
Que traz nas vestes
O pó de “Chichén-Itza”.
E nos nos pés
Há profundos sulcos
Fruto dos acidentes
Que sofri nas andinas paragens
Das ruínas de “Machu-Pichu”
“O entre los pueblos de las Missiones”.
“My voz tiene un sabor
Especial e salgado de Quechuas
Mesclado al color
Quemado da la piel do los Guaranies.”
“Soy americano
Y por si solo
Me basta !”
Se tenho cheiro ocre
Em minha pela morena
Porque sou o caminheiro
Que traz nas vestes
O pó de “Chichén-Itza”.
E nos nos pés
Há profundos sulcos
Fruto dos acidentes
Que sofri nas andinas paragens
Das ruínas de “Machu-Pichu”
“O entre los pueblos de las Missiones”.
“My voz tiene un sabor
Especial e salgado de Quechuas
Mesclado al color
Quemado da la piel do los Guaranies.”
“Soy americano
Y por si solo
Me basta !”
AMÉRICA MORENA
Mira,
Conozco a las poblaciones callampas
Del Chile
Lejano.
Conozco
A lãs barriadas
De Lima.
Y conosco
A los “favelados”
Del Rio hermoso…
Peron son todos hijos de una misma America
Morena,
Que nos espreita
Em cada esquina
Em cada sierra guampa
Em cada rio
Que correndo
Depressa
Solo nos olvida !
Conozco a las poblaciones callampas
Del Chile
Lejano.
Conozco
A lãs barriadas
De Lima.
Y conosco
A los “favelados”
Del Rio hermoso…
Peron son todos hijos de una misma America
Morena,
Que nos espreita
Em cada esquina
Em cada sierra guampa
Em cada rio
Que correndo
Depressa
Solo nos olvida !
Sunday, November 04, 2007
CANCYONERO AMERICANO
Habian
Hombres que cantabam cancyones
E sonrian miles sonrisas de dolor
E fue em my tierra
Que encontré los obreros
Que hizieron la América
Con que siempre soñaran
Los Americanos
Que eram hombres
Negros
Del sol que ardia
E era nuestro
Parcero
Incluso em las plagas brasileñas...
Hombres que cantabam cancyones
E sonrian miles sonrisas de dolor
E fue em my tierra
Que encontré los obreros
Que hizieron la América
Con que siempre soñaran
Los Americanos
Que eram hombres
Negros
Del sol que ardia
E era nuestro
Parcero
Incluso em las plagas brasileñas...
UM POETA VIVO PARA UM MORTO
Marco
Seus planos audazes
Seus sonhos
Ele
Seu copo de chopes
Ele
Seus mariscos
No botequim vivo de festa e de papos
(e ele morto na estrada, tão só...)
E bruscamente
O desencanto
Pelo choro encontro tua morte
Minha/nossa inimiga
Marco
Frio em seu caixão dourado
A saudades
Cantando desencanto
da vida inexistenteEm seu corpo
Em meu pranto
Pelo meu coração vazio/Vazado.
Mas
um poema de vida
Vive (sobre-vive)
em tua morte
E
Em mim
Há apenas pela vida:
- O desencanto!...
Braços em cruz sob a cabeça
Chorando deixo-me ficar
Relembrando amargo à morte dele
Permaneço
E de mim mais e mais
Me entristeço
Ao lembrar-me de minha solidão!
Seus planos audazes
Seus sonhos
Ele
Seu copo de chopes
Ele
Seus mariscos
No botequim vivo de festa e de papos
(e ele morto na estrada, tão só...)
E bruscamente
O desencanto
Pelo choro encontro tua morte
Minha/nossa inimiga
Marco
Frio em seu caixão dourado
A saudades
Cantando desencanto
da vida inexistenteEm seu corpo
Em meu pranto
Pelo meu coração vazio/Vazado.
Mas
um poema de vida
Vive (sobre-vive)
em tua morte
E
Em mim
Há apenas pela vida:
- O desencanto!...
Braços em cruz sob a cabeça
Chorando deixo-me ficar
Relembrando amargo à morte dele
Permaneço
E de mim mais e mais
Me entristeço
Ao lembrar-me de minha solidão!
LÁGRIMAS
Se eu te pedisse
para sorrir
Se eu te pedisse
Para sonhar
Mesmo que hoje não fosse
dia de festa
Mesmo que hoje não houvesse
Champanhe
Mesmo que estivesses
Comigo
Será que sorririas?
Será que sonharias?
Mas teu berço, meu filho mudo,
é frio e não te transmite
com certeza
a dor desse pai tão triste
porque o natal
Não consegue penetrar através
desta tua tumba,
e nem minhas palavrastêm o som comum
para sorrir
Se eu te pedisse
Para sonhar
Mesmo que hoje não fosse
dia de festa
Mesmo que hoje não houvesse
Champanhe
Mesmo que estivesses
Comigo
Será que sorririas?
Será que sonharias?
Mas teu berço, meu filho mudo,
é frio e não te transmite
com certeza
a dor desse pai tão triste
porque o natal
Não consegue penetrar através
desta tua tumba,
e nem minhas palavrastêm o som comum
AO AMIGO MORTO
Sobre a cidade desce
Noite ingênua e calma
E paira em minh'alma
a dor obscura
que minha solidão enrijece
É fria e desumana
A dor tão só que se entristeceu
E horripilante meu semblante
Se entristece
A agudeza de versos lânguidos
A relembrar com saudades de outrora
As frescas e amenas tardes
das outonais paragens.
E beijo a fronte do retrato inerte
Que jaz lançado sobre a mesa
Imaginando que naquela foto imberbe
Ainda haja vida e beleza.
Já não há no retrato
Preto e branco
No entanto
Qualquer sensação
das palavras
dos mortais
e
porque
por mais Natal que seja
ainda estou aqui
dobrado sobre ti
chorando a dor
de te perder
tão cedo.
Noite ingênua e calma
E paira em minh'alma
a dor obscura
que minha solidão enrijece
É fria e desumana
A dor tão só que se entristeceu
E horripilante meu semblante
Se entristece
A agudeza de versos lânguidos
A relembrar com saudades de outrora
As frescas e amenas tardes
das outonais paragens.
E beijo a fronte do retrato inerte
Que jaz lançado sobre a mesa
Imaginando que naquela foto imberbe
Ainda haja vida e beleza.
Já não há no retrato
Preto e branco
No entanto
Qualquer sensação
das palavras
dos mortais
e
porque
por mais Natal que seja
ainda estou aqui
dobrado sobre ti
chorando a dor
de te perder
tão cedo.
ELEGIA A MARCO ANTÔNIO
Meu caro amigo
Lá não sou
de grandes elegias
mas ao ver tua tumba fria
entendo que o solo rude
também carcome meus pés de aço
e que um dia
embora contrafeito
como tu
também me desfaço
Trago-te ante a lápide fria
uma única lágrima derradeira
as outras que eu tinha
espalhei-as pela vida afora
sinto-me agora
pura palidez anárquica
e meus versos tristes
representam toda
minha alegria de outrora
Conhecer-te foi um prazer
que não dispensaria
entre as flores da rua
pela qual um dia
trilhamos alvoradas e auroras
Meu canto
coitado transformou-se em pranto
tua voz é minha melodia
e a vida que habitava
este teu corpo frio
agora me serve de elegia
Rutilou-me a vida inteira
esta mágoa de não poder chorar
por aquele por quem
a vida qualquer um outro daria
até a minha se preciso fosse
Mas me conforto
quando vejo que a vontade
do Senhor de nossas pradarias
optou por tolher-te a ti
e não a mim deste meio impuro
porque necessitava de tua vida lá no Céu
e de mim na terra a agonia
Trouxe-te abraços
e condolências
podia também trazer-te flores
mas de que adiantaria
embelezar aqui a terra
inerte e fria
que circunda teu corpo
de alma e vida ausente?
Poderia trazer-te a glória
poderia trazer-te notícias
do mundo daqui de fora
mas de que adiantaria
se sabes muito bem
das mortes que as guerras trazem
e dos idos conterrâneos
que com certeza encontraste
Dizer-te que pais
irmãos, amigos
lamentam teu desenlace
de que adiantaria agora
que sobre isso eu cantasse?
E dizer-te
que o quatro de outubro *
que ironia
transformou-se no meu dia?
de que adiantaria?
Cabe-me apenas dizer-te
Meu caro Marco Antônio
que de certo
todos sorriremos contigo
... algum dia!
* 4 de outubro (dia do nascimento de Marco Antônio), conforme Decreto-Lei Municipal de Curitiba, transformou-se no Dia Municipal do Poeta
Lá não sou
de grandes elegias
mas ao ver tua tumba fria
entendo que o solo rude
também carcome meus pés de aço
e que um dia
embora contrafeito
como tu
também me desfaço
Trago-te ante a lápide fria
uma única lágrima derradeira
as outras que eu tinha
espalhei-as pela vida afora
sinto-me agora
pura palidez anárquica
e meus versos tristes
representam toda
minha alegria de outrora
Conhecer-te foi um prazer
que não dispensaria
entre as flores da rua
pela qual um dia
trilhamos alvoradas e auroras
Meu canto
coitado transformou-se em pranto
tua voz é minha melodia
e a vida que habitava
este teu corpo frio
agora me serve de elegia
Rutilou-me a vida inteira
esta mágoa de não poder chorar
por aquele por quem
a vida qualquer um outro daria
até a minha se preciso fosse
Mas me conforto
quando vejo que a vontade
do Senhor de nossas pradarias
optou por tolher-te a ti
e não a mim deste meio impuro
porque necessitava de tua vida lá no Céu
e de mim na terra a agonia
Trouxe-te abraços
e condolências
podia também trazer-te flores
mas de que adiantaria
embelezar aqui a terra
inerte e fria
que circunda teu corpo
de alma e vida ausente?
Poderia trazer-te a glória
poderia trazer-te notícias
do mundo daqui de fora
mas de que adiantaria
se sabes muito bem
das mortes que as guerras trazem
e dos idos conterrâneos
que com certeza encontraste
Dizer-te que pais
irmãos, amigos
lamentam teu desenlace
de que adiantaria agora
que sobre isso eu cantasse?
E dizer-te
que o quatro de outubro *
que ironia
transformou-se no meu dia?
de que adiantaria?
Cabe-me apenas dizer-te
Meu caro Marco Antônio
que de certo
todos sorriremos contigo
... algum dia!
* 4 de outubro (dia do nascimento de Marco Antônio), conforme Decreto-Lei Municipal de Curitiba, transformou-se no Dia Municipal do Poeta
Lembrança
Porque volto a escrever
Sobre ti
Se há muitas noites
Entre nós
E se para mim és só
Lembrança
Sensibilidade retida
Em minha memória?
Prazer tido e indescritível
Por quê?
Talvez minha veia de poeta
Entorpecido
Ainda desperte o sexo forte
E o sexo havido
É o seu porte
Lânguido amante
De poeta adormecido
E que desperta
Mesmo que seja para perder
Um dia, uma hora, um segundo
Para sentir teu cheiro
De serpente
Entumecido por e em mim
Buscando
Como aquela outra serpente
Que busca a relva
Orvalhada pela umidade
Matinal.
Ainda assim te
Prefiro como sonho
De lembrança
A não ter-te mais
Como um caso eterno
Lembro-te
Ereto
Pernas rijas que a
Teu pênis
Emolduram !
Sobre ti
Se há muitas noites
Entre nós
E se para mim és só
Lembrança
Sensibilidade retida
Em minha memória?
Prazer tido e indescritível
Por quê?
Talvez minha veia de poeta
Entorpecido
Ainda desperte o sexo forte
E o sexo havido
É o seu porte
Lânguido amante
De poeta adormecido
E que desperta
Mesmo que seja para perder
Um dia, uma hora, um segundo
Para sentir teu cheiro
De serpente
Entumecido por e em mim
Buscando
Como aquela outra serpente
Que busca a relva
Orvalhada pela umidade
Matinal.
Ainda assim te
Prefiro como sonho
De lembrança
A não ter-te mais
Como um caso eterno
Lembro-te
Ereto
Pernas rijas que a
Teu pênis
Emolduram !
Você acha isso justo?
O Governo do Estado
Diz à Prefeitura
É quem deve pagar a dívida do CIC
A Prefeitura
Diz o Governo do Estado
É quem deve pagar a dívida do CIC
Nos elegemos ambos
E pagamos todas as nossas dívidas
E ainda paga a discussão para a dívida do CIC.
Você acha isso justo?
Diz à Prefeitura
É quem deve pagar a dívida do CIC
A Prefeitura
Diz o Governo do Estado
É quem deve pagar a dívida do CIC
Nos elegemos ambos
E pagamos todas as nossas dívidas
E ainda paga a discussão para a dívida do CIC.
Você acha isso justo?
O Fusca que Motorista de Táxi de Cristóvão Viu
Estou em Manaus
É meio-dia
De um dia de verão
Meu Fusca está de vidros
Fechados
Pra dar a impressão de que tem
Ar-condicionado.
Estou em Curitiba
São três da tarde
De um dia de inverno
Tenho no bolso
Um cartão de crédito
De um banco qualquer
Pra dar a impressão que tenho
Dinheiro no bolso.
Estou em Brasília
São nove da manhã
De um dia de semana
Nenhum político
No plenário
Pra dar a impressão que estou no Senado
Ou na Câmara de Deputados
Estou em Nova Iorque
Discuto com o FMI
Nossa Dívida Externa
Pra dar a eles a impressão que conheço Collor
Tudo vai bem no Brasil
Estou em Washington
Com meu Fusca
Chamado Brasil
Discuto Economia
Com um Rolls Royce
Chamado América
Meu Fusca está de vidros fechados
Pra dar a impressão que tudo
Vai bem no Brasil.
"A Desordem e Progresso", de Cristóvão Buarque, Para lembrar!
É meio-dia
De um dia de verão
Meu Fusca está de vidros
Fechados
Pra dar a impressão de que tem
Ar-condicionado.
Estou em Curitiba
São três da tarde
De um dia de inverno
Tenho no bolso
Um cartão de crédito
De um banco qualquer
Pra dar a impressão que tenho
Dinheiro no bolso.
Estou em Brasília
São nove da manhã
De um dia de semana
Nenhum político
No plenário
Pra dar a impressão que estou no Senado
Ou na Câmara de Deputados
Estou em Nova Iorque
Discuto com o FMI
Nossa Dívida Externa
Pra dar a eles a impressão que conheço Collor
Tudo vai bem no Brasil
Estou em Washington
Com meu Fusca
Chamado Brasil
Discuto Economia
Com um Rolls Royce
Chamado América
Meu Fusca está de vidros fechados
Pra dar a impressão que tudo
Vai bem no Brasil.
"A Desordem e Progresso", de Cristóvão Buarque, Para lembrar!
Triste
Penso que tudo tenho
Neste momento:
O Sol privado,
O Mar distante,
Os coqueiros tristes.
Penso que aqui
Isso não existe
Por que como tenho coisas
Que não são
Sou triste
Neste momento:
O Sol privado,
O Mar distante,
Os coqueiros tristes.
Penso que aqui
Isso não existe
Por que como tenho coisas
Que não são
Sou triste
Hay Kay Contemporâneo
Abraço
Paixão
Talentos de que me olvido
No rumor dos meus passos
Abafo
No resfolegar do meu prazer
Destruo
No dia que se faz dia
Esqueço
Paixão
Talentos de que me olvido
No rumor dos meus passos
Abafo
No resfolegar do meu prazer
Destruo
No dia que se faz dia
Esqueço
Meu pequeno grande mundo
O simples fato de acordar
E sorver aos goles fortes
Tanto maus sonhos, mal digeridos
Quanto o pão com manteiga
Regado a um gole de café.
Que euforia!
Simplesmente ver o sol
Forçar sua luz
Pela vidraça de minha janela.
Que torpor!
Apenas sentir o calor
Tocar teu ombro.
O calor da tua mão muda,
Que nunca pede nada.
Que dor!
Escrever
"Ao correr da pena"
Palavras lado a lado
Coisas que formam frases
Frases que representam
Muito bem quem as escreveu
Não poeta, relator
Nada de história, presente.
Escrevendo
Palavras no eco da folha branca
Juntando sentimentos e sentimentos
Só escrevendo...
E sorver aos goles fortes
Tanto maus sonhos, mal digeridos
Quanto o pão com manteiga
Regado a um gole de café.
Que euforia!
Simplesmente ver o sol
Forçar sua luz
Pela vidraça de minha janela.
Que torpor!
Apenas sentir o calor
Tocar teu ombro.
O calor da tua mão muda,
Que nunca pede nada.
Que dor!
Escrever
"Ao correr da pena"
Palavras lado a lado
Coisas que formam frases
Frases que representam
Muito bem quem as escreveu
Não poeta, relator
Nada de história, presente.
Escrevendo
Palavras no eco da folha branca
Juntando sentimentos e sentimentos
Só escrevendo...
Sé escrever
O simples fato de acordar
E sorver aos goles fortes
Tanto maus sonhos, mal digeridos
Quanto o pão com manteiga
Regado a um gole de café.
Que euforia!
Simplesmente ver o sol
Forçar sua luz
Pela vidraça de minha janela.
Que torpor!
Apenas sentir o calor
Tocar teu ombro.
O calor da tua mão muda,
Que nunca pede nada.
Que dor!
Escrever
"Ao correr da pena"
Palavras lado a lado
Coisas que formam frases
Frases que representam
Muito bem quem as escreveu
Não poeta, relator
Nada de história, presente.
Escrevendo
Palavras no eco da folha branca
Juntando sentimentos e sentimentos
Só escrevendo...
E sorver aos goles fortes
Tanto maus sonhos, mal digeridos
Quanto o pão com manteiga
Regado a um gole de café.
Que euforia!
Simplesmente ver o sol
Forçar sua luz
Pela vidraça de minha janela.
Que torpor!
Apenas sentir o calor
Tocar teu ombro.
O calor da tua mão muda,
Que nunca pede nada.
Que dor!
Escrever
"Ao correr da pena"
Palavras lado a lado
Coisas que formam frases
Frases que representam
Muito bem quem as escreveu
Não poeta, relator
Nada de história, presente.
Escrevendo
Palavras no eco da folha branca
Juntando sentimentos e sentimentos
Só escrevendo...
O encanto
Embora o cristal
Que encerra meu amor
Não se tenha partido
Chegou já, o desencontro
Tão cedo; tão sempre,
Que dor
E essa maldita nostalgia
Essa não perspectiva eterna
Privações que não têm fim
Viver sem bem saber porquê
Mas triste ainda
Poetar folhas em branco
Por um buraco que sempre
Vem e fica
Embora cheio de palavras.
O cristal não quebrou,
Quebrou-se foi o encanto.
Que encerra meu amor
Não se tenha partido
Chegou já, o desencontro
Tão cedo; tão sempre,
Que dor
E essa maldita nostalgia
Essa não perspectiva eterna
Privações que não têm fim
Viver sem bem saber porquê
Mas triste ainda
Poetar folhas em branco
Por um buraco que sempre
Vem e fica
Embora cheio de palavras.
O cristal não quebrou,
Quebrou-se foi o encanto.
Cópula noturna
Beijar, amar, copular
A morte todo dia
À noite
Destino este que a vida
Tão querida reservou-me.
E a noite calma
Esta matrona indecente
Me permite que o destino
Trágico se cumpra
Dia-a-dia
Embora o coração gema
Ansioso pelo sol
Que se alevante
A vontade espera pela noite
Como se fosse ela
Uma moderna versão
De açoite
E eu um monge
Que se auto flagela
Com ela toda a noite.
Mas quando o sol raia
No outro dia
(e sempre há um outro dia)
Fico feliz por poder
Vivê-lo.
Como se ficasse feliz
Apenas por passá-lo
Ao teu lado.
E não fosse outro açoite
Que à noite
Noutra cama
Também te põe colado
Ao meu lado
A morte todo dia
À noite
Destino este que a vida
Tão querida reservou-me.
E a noite calma
Esta matrona indecente
Me permite que o destino
Trágico se cumpra
Dia-a-dia
Embora o coração gema
Ansioso pelo sol
Que se alevante
A vontade espera pela noite
Como se fosse ela
Uma moderna versão
De açoite
E eu um monge
Que se auto flagela
Com ela toda a noite.
Mas quando o sol raia
No outro dia
(e sempre há um outro dia)
Fico feliz por poder
Vivê-lo.
Como se ficasse feliz
Apenas por passá-lo
Ao teu lado.
E não fosse outro açoite
Que à noite
Noutra cama
Também te põe colado
Ao meu lado
Ao ser amado
De teu peito
Amado
Estou de ti lembrando
De tua boca em tê-la
Amado
Estou de ti lembrando
De teu suor cheiroso
E chama
Tão acesa em sê-la
De tuas coxas
Amado
Estou de ti lembrando
De te serem
Tão tidas
Se queixam desvalidas
De tuas artes
Amado
Estou de ti lembrando
De ser roubado
Nelas
Por mim tomado delas
De teu gemido
Amado
Estou de ti lembrando
De teu prazer o grito
Menor
Que meu gemido
De teu orgasmo
Amado
Estou de ti lembrando
De teu corpo todo
O campo
Do meu corpo o canto
De tua língua
Amado
Estou de ti lembrando
Na tua boca o suco
No nosso membro
O espanto.
Estou de ti lembrando.
29/12/1981
Amado
Estou de ti lembrando
De tua boca em tê-la
Amado
Estou de ti lembrando
De teu suor cheiroso
E chama
Tão acesa em sê-la
De tuas coxas
Amado
Estou de ti lembrando
De te serem
Tão tidas
Se queixam desvalidas
De tuas artes
Amado
Estou de ti lembrando
De ser roubado
Nelas
Por mim tomado delas
De teu gemido
Amado
Estou de ti lembrando
De teu prazer o grito
Menor
Que meu gemido
De teu orgasmo
Amado
Estou de ti lembrando
De teu corpo todo
O campo
Do meu corpo o canto
De tua língua
Amado
Estou de ti lembrando
Na tua boca o suco
No nosso membro
O espanto.
Estou de ti lembrando.
29/12/1981
Sunday, October 28, 2007
Ao homem
Do homem não digo calmo
Mas vento
Mas sol
E sustento
Mas vento
Do homem não digo calmo
Mas tempo
Mas vida
E seu espanto
Mas tempo
Do homem não digo calmo
Mas sempre
Mas terra
E seu ventre
Mas sempre
Do homem não digo calmo
Mas vento
Mas sol
E sustento
Mas vento !
28/12/1981
Mas vento
Mas sol
E sustento
Mas vento
Do homem não digo calmo
Mas tempo
Mas vida
E seu espanto
Mas tempo
Do homem não digo calmo
Mas sempre
Mas terra
E seu ventre
Mas sempre
Do homem não digo calmo
Mas vento
Mas sol
E sustento
Mas vento !
28/12/1981
Invocação
Recorro à tua imagem.
Às tuas mãos que volteiam no profundo e liso
Vidro da memória.
À tua boca que ainda desconheço,
Ou já olvidei;
Ou só dos dedos lembro.
Desesperada, talvez,
Mas tão doce, suave e lenta,
Esta mania de ti que agora começo.
Ou a qual retorno?!
Eis a vertigem da tua língua,
E enquanto a ignoro
A mim me venço.
29/12/1981
Às tuas mãos que volteiam no profundo e liso
Vidro da memória.
À tua boca que ainda desconheço,
Ou já olvidei;
Ou só dos dedos lembro.
Desesperada, talvez,
Mas tão doce, suave e lenta,
Esta mania de ti que agora começo.
Ou a qual retorno?!
Eis a vertigem da tua língua,
E enquanto a ignoro
A mim me venço.
29/12/1981
Intimidade
Lembra-te amor
De quando me despias?
Os teus dedos percorrendo
Meu corpo, lentamente...
Lentamente...
Me afastavam
E me abriam?
28/12/1981
De quando me despias?
Os teus dedos percorrendo
Meu corpo, lentamente...
Lentamente...
Me afastavam
E me abriam?
28/12/1981
Gozo
Ó gozo - Ó gume
Ó cume mais supremo
Minha ânsia banida do seu espanto
E o corpo aberto pelo ventre
No mais agudo golpe
No qual me vejo
Semelhante por ti tomado não somente
Que já te domo
E monto E te acrescento
Ardentemente sou em ti
E liquefaço o tempo....
28/12/1981
Ó cume mais supremo
Minha ânsia banida do seu espanto
E o corpo aberto pelo ventre
No mais agudo golpe
No qual me vejo
Semelhante por ti tomado não somente
Que já te domo
E monto E te acrescento
Ardentemente sou em ti
E liquefaço o tempo....
28/12/1981
Luta
Sobrevoa-nos grave e larga asa
Um passo dado à mão, macio o gesto
E pode ser tragada toda a face
À casta liberdade
Não tendo tu ou eu jamais perdido
Ou ganho vulto
Ou outro tempo que não o de indagar,
Uma asa revoa, de espessa nova ave
De um tempo tão antigo
Tão antigo
Que eu digo cedo (é cedo)
Te desconheço
E sobre a mesma palma leda e pura
Te assisto ao que não sabes
E teço o que não te cedo
28/12/1981
Um passo dado à mão, macio o gesto
E pode ser tragada toda a face
À casta liberdade
Não tendo tu ou eu jamais perdido
Ou ganho vulto
Ou outro tempo que não o de indagar,
Uma asa revoa, de espessa nova ave
De um tempo tão antigo
Tão antigo
Que eu digo cedo (é cedo)
Te desconheço
E sobre a mesma palma leda e pura
Te assisto ao que não sabes
E teço o que não te cedo
28/12/1981
Hai - kai
Como é que o amor é possível?
Como é que não é possível
Mas que importa:
A história de um amor?
Ou um amor na história?
Como é que não é possível
Mas que importa:
A história de um amor?
Ou um amor na história?
Nós
Eis-nos de luta
Expostos
Sem conquistar dias
Virilhas
Ajustadas no riso
Do passo retomado
O rever das casas e das causas
O revolver das coisas
Que dormitam
Diária é a opção
O movimento tardio
O sossego manso e mais pesado
Daquilo que desperta
E não quebramos
Daquilo que picamos
E dobramos
Carta por carta em seu perfil exato
Machos somos
Fiéis à nossa imagem
Oposição sedenta que usamos
Homens pois sem procurar vantagem
Mas bem certos dos homens que descobrimos
E nunca seremos caça
Ou objeto
Ou desejo
Nem espontâneo odor
De mata virgem exalamos
Enquanto nos dizemos cristal
Pedra de caminhada somos.
Em chegar a nós
De barco
Ou vento
Retomamos viva ação que se divide
Esta que usamos em cumprir
Nosso sustento
De pressuposta amarra
Em que ficamos
Apartada dos outros
E tão perto...
20/12/1981
Expostos
Sem conquistar dias
Virilhas
Ajustadas no riso
Do passo retomado
O rever das casas e das causas
O revolver das coisas
Que dormitam
Diária é a opção
O movimento tardio
O sossego manso e mais pesado
Daquilo que desperta
E não quebramos
Daquilo que picamos
E dobramos
Carta por carta em seu perfil exato
Machos somos
Fiéis à nossa imagem
Oposição sedenta que usamos
Homens pois sem procurar vantagem
Mas bem certos dos homens que descobrimos
E nunca seremos caça
Ou objeto
Ou desejo
Nem espontâneo odor
De mata virgem exalamos
Enquanto nos dizemos cristal
Pedra de caminhada somos.
Em chegar a nós
De barco
Ou vento
Retomamos viva ação que se divide
Esta que usamos em cumprir
Nosso sustento
De pressuposta amarra
Em que ficamos
Apartada dos outros
E tão perto...
20/12/1981
Repartindo
Repartir a solidão
É fardo pesado
Que a multiplica
E meu corpo já não tem
Mais a solidez
Que mente cobra
Meu remédio é diluir a angústia
Num copo d'água
E bebê-lo aos poucos
À despeito de seu sabor
Amargo
... Talvez o corpo esbelto
E juvenil de Sandro...
... Quem sabe o meigo
Corpo amigo de Giovanni...
Meu coração bate de dois lados
Em ambos tic-tac
Mas enquanto
Um permanece eterno
Outro me deixa só
Lá fora o mundo atribulado
E dentro de mim a angústia
Cercado por Sandro e Giovanni
Dentro de mim um coração prestes
A explodir
Sem rumo, apagado
Surpreso
Amargando solidão
Maldita angústia
Companheira eterna
Que nunca deixará
Meu corpo amarfalhado
Por que se o poeta germânico do amor
Ainda fosse vivo,
Com certeza encontraria solução,
Quem sabe na morte definitiva
Ou quem sabe no sono
Mas minha covardia inata
Talvez sem ser a morte me reporte
A paz tão esperada.
E quando eu adormecer
Apesar de que a paz me invada
Não haverá de pombos, revoada
Nem para adormecer
Contarei carneiros
Apenas dormirei decidido
Feliz por ter redescoberto a palavra
E por tal fato,
E apesar de tudo...
Ter adormecido!
04/3/1981
É fardo pesado
Que a multiplica
E meu corpo já não tem
Mais a solidez
Que mente cobra
Meu remédio é diluir a angústia
Num copo d'água
E bebê-lo aos poucos
À despeito de seu sabor
Amargo
... Talvez o corpo esbelto
E juvenil de Sandro...
... Quem sabe o meigo
Corpo amigo de Giovanni...
Meu coração bate de dois lados
Em ambos tic-tac
Mas enquanto
Um permanece eterno
Outro me deixa só
Lá fora o mundo atribulado
E dentro de mim a angústia
Cercado por Sandro e Giovanni
Dentro de mim um coração prestes
A explodir
Sem rumo, apagado
Surpreso
Amargando solidão
Maldita angústia
Companheira eterna
Que nunca deixará
Meu corpo amarfalhado
Por que se o poeta germânico do amor
Ainda fosse vivo,
Com certeza encontraria solução,
Quem sabe na morte definitiva
Ou quem sabe no sono
Mas minha covardia inata
Talvez sem ser a morte me reporte
A paz tão esperada.
E quando eu adormecer
Apesar de que a paz me invada
Não haverá de pombos, revoada
Nem para adormecer
Contarei carneiros
Apenas dormirei decidido
Feliz por ter redescoberto a palavra
E por tal fato,
E apesar de tudo...
Ter adormecido!
04/3/1981
Fim de Festa
Para que diabos
a festa acaba assim?
Tão sem ninguém?
Em mim persiste a idéia
De que a festa
Não deveria ter fim!
Por que diabos
Todos se lembram
Agora como se ela fosse sonho?
Por que diabos a festa tem fim?
E algum dia quiçá
Sequer lembrarão de mim!
Não. Tudo acaba como finda foi a festa
E dela só os detritos lhe comprovam a existência
Meus amigos,
Tudo como ela
Muito embora eu não queira
Também tem fim
Assim...
a festa acaba assim?
Tão sem ninguém?
Em mim persiste a idéia
De que a festa
Não deveria ter fim!
Por que diabos
Todos se lembram
Agora como se ela fosse sonho?
Por que diabos a festa tem fim?
E algum dia quiçá
Sequer lembrarão de mim!
Não. Tudo acaba como finda foi a festa
E dela só os detritos lhe comprovam a existência
Meus amigos,
Tudo como ela
Muito embora eu não queira
Também tem fim
Assim...
Sem Título
Toda vez que me sentires
Distante
Não estarei tão longe
Estarei entre os cadáveres
jacentes
De meus companheiros
Mortos no Araguaia
Estarei sobrevoando tua paixão,
Meu amigo.
E se quiseres me sentir
Em teu coração,
É imprescindível que nele caibamos
Todos:
Eu e eles.
Distante
Não estarei tão longe
Estarei entre os cadáveres
jacentes
De meus companheiros
Mortos no Araguaia
Estarei sobrevoando tua paixão,
Meu amigo.
E se quiseres me sentir
Em teu coração,
É imprescindível que nele caibamos
Todos:
Eu e eles.
A maldição à margem
Não estive perto de Kerouac, o beat nosso de cada dia,
Não tive Rimbaud, Mallarmé nem
outros malditos por perto.
Cazuza, embora mais novo,
morreu noutras plagas.
Vivi longe do Rio, fora do mundo
Nunca fui "maldito",
Nunca fui beat,
Só sempre li muito
Fumei muito
Amei muito
Não escrevi semanários, não comi ópio,
Nem pus o pé na estrada.
Mesmo assim
Apesar da beatitude aparente descobri
Que comigo é assim
Descarregar palavras
Antes que eu expluda
de versos engolidos.
Nunca fui famoso,
Não fui eterno,
Não serei lembrado
Mas um dia, entre um cigarro e outro,
Entre um premir em prazer tido
terei vivido aqui,
Longe do Rio,
fora do mundo
Comigo é assim
Descarregar palavras
Antes que eu expluda
De versos engolidos.
Pela manhã a vodca com guaraná,
Pelo almoço a cerveja gelada
E à noite vários cigarros amigos
E os gatos
E os "gatos"
E a vida paga em tributo do sono
Futuro
Todos os dias,
Todo o dia.
E em cada noite
De solidão
O poeta,
A quem diziam que escrever poesia
Não era moderno
Que na Europa
Poesia não vende
Que no Brasil
Poetas só são os
Que já foram
Não tive amigos importantes
E aos que tive mesmo que lhes cite o nome
Ninguém deles saberá..
São Paulos, Sérgios, Pedros
Nomes comuns sem nenhum apelo
Não morei em Metrópoles, Megalópoles
E nem os nomes das cidades em que morei
Ficam bem, ditos em inglês.
Não li muito
E continuo inexistindo
Mesmo que insista em descarregar palavras
Antes que eu expluda
De versos engolidos !
Não tive Rimbaud, Mallarmé nem
outros malditos por perto.
Cazuza, embora mais novo,
morreu noutras plagas.
Vivi longe do Rio, fora do mundo
Nunca fui "maldito",
Nunca fui beat,
Só sempre li muito
Fumei muito
Amei muito
Não escrevi semanários, não comi ópio,
Nem pus o pé na estrada.
Mesmo assim
Apesar da beatitude aparente descobri
Que comigo é assim
Descarregar palavras
Antes que eu expluda
de versos engolidos.
Nunca fui famoso,
Não fui eterno,
Não serei lembrado
Mas um dia, entre um cigarro e outro,
Entre um premir em prazer tido
terei vivido aqui,
Longe do Rio,
fora do mundo
Comigo é assim
Descarregar palavras
Antes que eu expluda
De versos engolidos.
Pela manhã a vodca com guaraná,
Pelo almoço a cerveja gelada
E à noite vários cigarros amigos
E os gatos
E os "gatos"
E a vida paga em tributo do sono
Futuro
Todos os dias,
Todo o dia.
E em cada noite
De solidão
O poeta,
A quem diziam que escrever poesia
Não era moderno
Que na Europa
Poesia não vende
Que no Brasil
Poetas só são os
Que já foram
Não tive amigos importantes
E aos que tive mesmo que lhes cite o nome
Ninguém deles saberá..
São Paulos, Sérgios, Pedros
Nomes comuns sem nenhum apelo
Não morei em Metrópoles, Megalópoles
E nem os nomes das cidades em que morei
Ficam bem, ditos em inglês.
Não li muito
E continuo inexistindo
Mesmo que insista em descarregar palavras
Antes que eu expluda
De versos engolidos !
Sem título 1
(Manoel tem 15 anos de Churrascaria Jardim, tem idade em 51-52 anos, disse-me. Usa número 20 na lapela, um velho hábito que mantém, já que usa o vestiário, e assim ao sair, deixando o jaleco branco em seu escaninho, ninguém usa.)
As carnes não são como as do Sul,
Mais caras, menos fartas
E menos saborosas.
Jardim nada muito especial.
Algo assim como um velho garçon
Tentando decifrar o que
A moderna máquina do caixa imprimiu aí,
No papelucho.
Bati meu recorde,
Fiquei 48 horas sem falar com ninguém,
Só senti TV.
Surpreendo-me, fim de programa.
Surpreendo-me voltando pra casa.
Chove lá fora, é verão.
Quase sempre no verão os dias terminam com chuva.
Embora pela manhã
Os olhos possam ter
Uma semelhança aos olhos do clown.
Bom, quem aprendeu, aprendeu!
Quem viu, viu!
Quem não viu, não verá jamais!
Tô de malas prontas.
Vou saltar do bonde.
Um forte abraço.
As carnes não são como as do Sul,
Mais caras, menos fartas
E menos saborosas.
Jardim nada muito especial.
Algo assim como um velho garçon
Tentando decifrar o que
A moderna máquina do caixa imprimiu aí,
No papelucho.
Bati meu recorde,
Fiquei 48 horas sem falar com ninguém,
Só senti TV.
Surpreendo-me, fim de programa.
Surpreendo-me voltando pra casa.
Chove lá fora, é verão.
Quase sempre no verão os dias terminam com chuva.
Embora pela manhã
Os olhos possam ter
Uma semelhança aos olhos do clown.
Bom, quem aprendeu, aprendeu!
Quem viu, viu!
Quem não viu, não verá jamais!
Tô de malas prontas.
Vou saltar do bonde.
Um forte abraço.
De sóis e tempestades
Melhor que hajam tempestades
Vez por outra,
Só elas mudam depressa
O que habitualmente
Nunca muda.
As tempestades
Apressam os nascimentos
Dos que não eram
Como nós somos:
Medrosos em dias de tempestade!
Gosto do sol
Me dá paz e tranqüilidade.
Já as tempestades
Monstruosamente soberbas
Fazem aflorar nossa fragilidade;
Por isso, tememos, respeitamos e nos entregamos
Às tempestades.
Vez por outra,
Só elas mudam depressa
O que habitualmente
Nunca muda.
As tempestades
Apressam os nascimentos
Dos que não eram
Como nós somos:
Medrosos em dias de tempestade!
Gosto do sol
Me dá paz e tranqüilidade.
Já as tempestades
Monstruosamente soberbas
Fazem aflorar nossa fragilidade;
Por isso, tememos, respeitamos e nos entregamos
Às tempestades.
Cogito, ergo sum
Cogitações noturnas levadas à efeito
Brevemente
Quase imperceptíveis
Que se introduzem sutilmente
Em meu espírito
E sinto-me presente
Afinal eu sou
Cogito, ergo sum!
Brevemente
Quase imperceptíveis
Que se introduzem sutilmente
Em meu espírito
E sinto-me presente
Afinal eu sou
Cogito, ergo sum!
Botego no Boteco da General Polidoro,
em frente à casa da Ângela + Olivier
em frente à casa da Ângela + Olivier
Pensando em ti
Ao Zéio
Quando a calma próspera
Da noite me invade;
Quando, entregue às
Volúpias de minha
Solidão;
Então percebo que sou em meus ideais
Mera projeção dos teus!
E sabes porquê?
Porque pensando em ti, repouso,
Pensando em ti, me descubro
Pensando em ti
Descubro que te amo!
Como amo também ao céu
Cujo mando azul escuro
Me envolve fraternalmente
(E ao mundo inteiro)
Deixando no centro um furo,
Que é o lugar preciso
Através do qual a lua
Nos vigia sem cansar.
Amo o teu cheiro
De corpo amante
Que me envolve
E me cavalga
E me transporta
À mais fantástica das venturas,
A que só se sente por alguém amado.
Quando a calma próspera
Da noite me invade;
Quando, entregue às
Volúpias de minha
Solidão;
Então percebo que sou em meus ideais
Mera projeção dos teus!
E sabes porquê?
Porque pensando em ti, repouso,
Pensando em ti, me descubro
Pensando em ti
Descubro que te amo!
Como amo também ao céu
Cujo mando azul escuro
Me envolve fraternalmente
(E ao mundo inteiro)
Deixando no centro um furo,
Que é o lugar preciso
Através do qual a lua
Nos vigia sem cansar.
Amo o teu cheiro
De corpo amante
Que me envolve
E me cavalga
E me transporta
À mais fantástica das venturas,
A que só se sente por alguém amado.
Do nascimento à mudez
A
Terra me gerou
- Embrião Telúrico -
De chave no bolso
Pra abrir caminhos
Estranhos caminhos
Por onde passei...
(Becos escuros
Riachos Poluídos)
Por terras estranhas
Estranhos caminhos
Gritei liberdade
Às margens de um riacho
Chamado vida...
Lacraram minha boca
Tolheram-me a voz
Cortaram-me o umbigo
Disseram-me:
Vai, filho, fazer teu futuro
Mil glórias esperam por ti
E eu caminheiro
Segui desajeitado
De punhos cerrados
Erguidos para o alto
Cantando...
Gritando...
Protestando...
Como se meus brados
Heróicos brados de guerra
Fossem fortes o bastante
Contra os miseráveis muros
Que alguém colocou ali...
Esbravejei e disse
Que sou inovador
Que sou poeta
Que crio
Que faço arte
Que modifico as bases
Que construo impérios
Que sou reformador!
Mas e quem queria saber disso?
(Um pássaro
Pousado na janela
Gentil me sorriu
E cantou a única canção
Triste e melodiosa,
Que sabia cantar)
A flor tinha pétalas
Eu vi
E tinha também espinhos
sarcásticos espinhos
Por baixo de tudo
Acho, disse,
É melhor me calar
É melhor não zangar
É melhor...
E FIQUEI MUDO!
Terra me gerou
- Embrião Telúrico -
De chave no bolso
Pra abrir caminhos
Estranhos caminhos
Por onde passei...
(Becos escuros
Riachos Poluídos)
Por terras estranhas
Estranhos caminhos
Gritei liberdade
Às margens de um riacho
Chamado vida...
Lacraram minha boca
Tolheram-me a voz
Cortaram-me o umbigo
Disseram-me:
Vai, filho, fazer teu futuro
Mil glórias esperam por ti
E eu caminheiro
Segui desajeitado
De punhos cerrados
Erguidos para o alto
Cantando...
Gritando...
Protestando...
Como se meus brados
Heróicos brados de guerra
Fossem fortes o bastante
Contra os miseráveis muros
Que alguém colocou ali...
Esbravejei e disse
Que sou inovador
Que sou poeta
Que crio
Que faço arte
Que modifico as bases
Que construo impérios
Que sou reformador!
Mas e quem queria saber disso?
(Um pássaro
Pousado na janela
Gentil me sorriu
E cantou a única canção
Triste e melodiosa,
Que sabia cantar)
A flor tinha pétalas
Eu vi
E tinha também espinhos
sarcásticos espinhos
Por baixo de tudo
Acho, disse,
É melhor me calar
É melhor não zangar
É melhor...
E FIQUEI MUDO!
Sem título
Se eu pudesse tirar teu sofrimento,
Mas não, apenas posso te mostrar a minha dor!
Loreno L Z Hagedorn
Curitiba, 10/10/68
Meu amigo, se de repente
Tua melancólica fizer brotar a indecisão
Esteja certo que se me tiveres por perto
Ela mesma te inspirará a prosseguir.
Tive certeza, isso eu posso precisar
E se me permitires compartir tua indecisão
Mesmo que eu não tenha razão
Tenhas tu o tempo imensurável do sonhador
Para reaver de mim a força para prosseguir.
Se consigo ver minha imagem
Reproduzida em teus sonhos
É porque quando te olho
Vejo-te a espelhar-se em mim,
Que sou teu reflexo.
E se a beleza do que digo
E a verdade do que escrevo
É tua beleza em si
O reflexo da minha que te amo
É porque em ti me espelho !
A vida própria traz em seu seio
A incerteza.
Mas também traz as belezas
Feitas para serem apreciadas:
Como estes nosso espelhos vivos!
Se te amo
Se te quero como sempre
É porque me queres
Daí deduzo que tudo o que faças
Até mesmo tua indecisão e teus sonhos
Significam meu conforto.
Se te amo,
Se essa tem que ser minha vida
Quero preteridas as angústias de hoje,
Que amanhã de verdade, e com certeza,
Nos farão gargalhar juntos.
E o tempo nesta pressa
Entra como um processo
Dizendo que vai ficar
Mas não fica,
Prega-nos uma peça
Nunca tem ficado estático
E mesmo a vida tendo passado
Algo dela, no passado, há de restar.
E é por isso
Que aconselho, a ambos, o melhor amigo
Um travesseiro fofo
Uma noite bem dormida,
Já que nem a viva vida
Recém parida
Embora pareça imóvel, estática,
Até essa vida, imagine,
Vai mudar!
Deixo-te um beijo...
E uma lágrima
Que por eu estar exausto
De sofrer como tu sofres
Já não pode mais rolar
Aliás, choro de alegria
Às vezes de melancolia
Mas jamais de mal-estar
Pra tudo há um remédio
Pra tudo há solução
Menos para a morte
Mas pior que a morte é o medo
De nada mais restar !
Neste tudo posso, esteja certo
Tudo passa
Até nós vamos passar !
Mas não, apenas posso te mostrar a minha dor!
Loreno L Z Hagedorn
Curitiba, 10/10/68
Meu amigo, se de repente
Tua melancólica fizer brotar a indecisão
Esteja certo que se me tiveres por perto
Ela mesma te inspirará a prosseguir.
Tive certeza, isso eu posso precisar
E se me permitires compartir tua indecisão
Mesmo que eu não tenha razão
Tenhas tu o tempo imensurável do sonhador
Para reaver de mim a força para prosseguir.
Se consigo ver minha imagem
Reproduzida em teus sonhos
É porque quando te olho
Vejo-te a espelhar-se em mim,
Que sou teu reflexo.
E se a beleza do que digo
E a verdade do que escrevo
É tua beleza em si
O reflexo da minha que te amo
É porque em ti me espelho !
A vida própria traz em seu seio
A incerteza.
Mas também traz as belezas
Feitas para serem apreciadas:
Como estes nosso espelhos vivos!
Se te amo
Se te quero como sempre
É porque me queres
Daí deduzo que tudo o que faças
Até mesmo tua indecisão e teus sonhos
Significam meu conforto.
Se te amo,
Se essa tem que ser minha vida
Quero preteridas as angústias de hoje,
Que amanhã de verdade, e com certeza,
Nos farão gargalhar juntos.
E o tempo nesta pressa
Entra como um processo
Dizendo que vai ficar
Mas não fica,
Prega-nos uma peça
Nunca tem ficado estático
E mesmo a vida tendo passado
Algo dela, no passado, há de restar.
E é por isso
Que aconselho, a ambos, o melhor amigo
Um travesseiro fofo
Uma noite bem dormida,
Já que nem a viva vida
Recém parida
Embora pareça imóvel, estática,
Até essa vida, imagine,
Vai mudar!
Deixo-te um beijo...
E uma lágrima
Que por eu estar exausto
De sofrer como tu sofres
Já não pode mais rolar
Aliás, choro de alegria
Às vezes de melancolia
Mas jamais de mal-estar
Pra tudo há um remédio
Pra tudo há solução
Menos para a morte
Mas pior que a morte é o medo
De nada mais restar !
Neste tudo posso, esteja certo
Tudo passa
Até nós vamos passar !
Poema sobre uma velha história de amor
I
Nos dávamos muito bem
Eu e a cidade
Talvez porque tivéssemos
muito em comum:
Nada tínhamos
Nem tinha a cidade às flores
Que a tornariam famosa
Nem eu tinha o dinheiro
Que nem tenho agora.
A amei
Desde cedo
Desde quando pousei minha mala em seu umbral.
Talvez até, se eu pouco a amasse,
Poderia dizer com serenidade:
Ela foi a "mãe" que eu nunca tive!
Adotou-me bem, e eu a aceitei
Com todos seus pecados
Desse jeito torto nos amávamos
E agora, mais que nunca,
Ela é meu exílio e meu consolo
II
Meu melhor amigo:
O mar.
Poucas foram as vezes
em que ele me estreitou
Forte em seu seio.
Posso contar a mínima vez
Em que meus pés se banhavam de mar.
Mas fora o suficiente
Para amar o mar.
E amei-o!
III
Se és amigo de meu amigo
Minha amiga também és!
E veio a praia, e veio o sol,
A natureza coberta de areia e luz
Comigo partilhou sua serenidade
Se fez amiga.
E eu te bendigo!
IV
Por que desandei eu a falar
De litoral?
Por que deixei minha cidade?
Porque nela não há mares, nem areias, nem a luz,
É apenas cidade !
Simples assim....
Foi o mar amigo
A praia quase irmã
O sol e natureza toda viva
Deste imenso litoral,
Que me trouxe (grávido de seu cheiro)
Outro amigo: Giovanni.
E muito mais que amigo,
Por ser amigo do mar e
desta natureza festiva,
E um irmão no seio da mesma cidade,
Que a despeito de nossos mútuos pecados
Também ela aprendeu a amar.
V
Simplesmente nos assumimos
A cidade, o amigo, o mar, suas areias e sua luz,
A natureza exuberante e eu.
E pronto, está feito
O novo mundo.
É o mundo novo como
Nova é a esperança que nos habita agora.
Como é novo o recomeçar
De cada dia.
Como novo é meu poema
Quanto velha e sofrida
É minha mais nova velha solidão de sempre.
VI
E eu repito para mim mesmo:
Ele está longe, não muito,
mas volta.
Ei-lo que chega aproxima-se...
Aproxima-te... bem-vindo!
Nos dávamos muito bem
Eu e a cidade
Talvez porque tivéssemos
muito em comum:
Nada tínhamos
Nem tinha a cidade às flores
Que a tornariam famosa
Nem eu tinha o dinheiro
Que nem tenho agora.
A amei
Desde cedo
Desde quando pousei minha mala em seu umbral.
Talvez até, se eu pouco a amasse,
Poderia dizer com serenidade:
Ela foi a "mãe" que eu nunca tive!
Adotou-me bem, e eu a aceitei
Com todos seus pecados
Desse jeito torto nos amávamos
E agora, mais que nunca,
Ela é meu exílio e meu consolo
II
Meu melhor amigo:
O mar.
Poucas foram as vezes
em que ele me estreitou
Forte em seu seio.
Posso contar a mínima vez
Em que meus pés se banhavam de mar.
Mas fora o suficiente
Para amar o mar.
E amei-o!
III
Se és amigo de meu amigo
Minha amiga também és!
E veio a praia, e veio o sol,
A natureza coberta de areia e luz
Comigo partilhou sua serenidade
Se fez amiga.
E eu te bendigo!
IV
Por que desandei eu a falar
De litoral?
Por que deixei minha cidade?
Porque nela não há mares, nem areias, nem a luz,
É apenas cidade !
Simples assim....
Foi o mar amigo
A praia quase irmã
O sol e natureza toda viva
Deste imenso litoral,
Que me trouxe (grávido de seu cheiro)
Outro amigo: Giovanni.
E muito mais que amigo,
Por ser amigo do mar e
desta natureza festiva,
E um irmão no seio da mesma cidade,
Que a despeito de nossos mútuos pecados
Também ela aprendeu a amar.
V
Simplesmente nos assumimos
A cidade, o amigo, o mar, suas areias e sua luz,
A natureza exuberante e eu.
E pronto, está feito
O novo mundo.
É o mundo novo como
Nova é a esperança que nos habita agora.
Como é novo o recomeçar
De cada dia.
Como novo é meu poema
Quanto velha e sofrida
É minha mais nova velha solidão de sempre.
VI
E eu repito para mim mesmo:
Ele está longe, não muito,
mas volta.
Ei-lo que chega aproxima-se...
Aproxima-te... bem-vindo!
Praça Rotina
Um pássaro voando
Descrevia círculos e imagens
que minha mente
Farta Mente
Imaginativamente
Sentei Mudo
Num banco de pedra da praça
(eu não tinha mais voz
minha garganta secara
nem sorrisos percorriam-me a face outrora altiva)
Meu corpo cansado
De tanto caminhar
Adormeceu
A praça
Eufórica
Sorria de tudo
E eu ali
De corpo e mente arriados
Num banco de praça
Ao lado de um mendigo sujo
Meu sonho
Descansava
Preso ao corpo morredouro finito
Desfazia-se em cansaços
E ranger de ossos
E dores musculares
E nem uma emoção sequer conseguia sobreviver
Àquela montoeira de coisas de rotina
Descrevia círculos e imagens
que minha mente
Farta Mente
Imaginativamente
Sentei Mudo
Num banco de pedra da praça
(eu não tinha mais voz
minha garganta secara
nem sorrisos percorriam-me a face outrora altiva)
Meu corpo cansado
De tanto caminhar
Adormeceu
A praça
Eufórica
Sorria de tudo
E eu ali
De corpo e mente arriados
Num banco de praça
Ao lado de um mendigo sujo
Meu sonho
Descansava
Preso ao corpo morredouro finito
Desfazia-se em cansaços
E ranger de ossos
E dores musculares
E nem uma emoção sequer conseguia sobreviver
Àquela montoeira de coisas de rotina
Dubitoso Pensar
Nada em mim
Faz-me entender
De onde surgiu este turbilhão de idéias
Veio, provavelmente,
De um horizonte nebuloso
Travou lutas
De vida e de morte
Entre as células medulares
E por fim
Após choques enormes
Dos despojos desta guerra
Recolhi a incerteza
E flagrei-me
Tão pouco
Compreensível
E tão ignorante
Como antes
Faz-me entender
De onde surgiu este turbilhão de idéias
Veio, provavelmente,
De um horizonte nebuloso
Travou lutas
De vida e de morte
Entre as células medulares
E por fim
Após choques enormes
Dos despojos desta guerra
Recolhi a incerteza
E flagrei-me
Tão pouco
Compreensível
E tão ignorante
Como antes
Tumultuado Existir
Ventre materno
Primeira sepultura
Cigarro
Desfazendo-se no espaço
Em nuvens coloridas, vistas contra a luz,
Ventre materno
Caricatura do tempo
Aprisionado
Num pequeno momento
Que visualizo
Ventre materno
Obsessão, neurose,
Que me gerou
Entre um e outro ruído glutural
De prazer incontido
E que me fez eterno
Por enquanto durasse
Ventre materno
Primeira sepultura
De quem nasceu
Para morrer
E não morreu
......................
Ainda.
Primeira sepultura
Cigarro
Desfazendo-se no espaço
Em nuvens coloridas, vistas contra a luz,
Ventre materno
Caricatura do tempo
Aprisionado
Num pequeno momento
Que visualizo
Ventre materno
Obsessão, neurose,
Que me gerou
Entre um e outro ruído glutural
De prazer incontido
E que me fez eterno
Por enquanto durasse
Ventre materno
Primeira sepultura
De quem nasceu
Para morrer
E não morreu
......................
Ainda.
Wednesday, October 24, 2007
Quadrinha insolente
Estranha nostalgia
Esta que me assola
Me entristece a infância
Mas sua lembrança me consola
Estranha nostalgia
Esta que me assola
Me entristece a infância
Mas sua lembrança me consola
Nutzwecklöziegkeit
Dunkler raum
Verschlosehner raum
Belöstigter raum
Leiderschaftiger raum
Und der junggeselle
Liegt in mitten dieser raun
Ladellos
Tod!
TIC-TAC-TIC-TAC-TIC-TAC
Mich schaudert is
Liebliege schwesterlein
Diese ewige TIC-TAC
Von die uhr.
Diese aufweckende uhr
Die hin und her schlägt
In der dunkler raum
Für die leiche
Die nie mehr aufwecken kan
Die uhr
Schlägt etwa nutzwecklösig für ihn.
Inutilidades
Quarto escuro
Fechado
Vexado
Sofrido
O solteirão
No meio dele
Morto!
Tic-tac-tic-tac
Dá arrepios
Minha maninha
Aquele relógio
Sóbrio
Batendo no negro quarto escuro
Morto
Ausente
Inutilmente.
Tuesday, October 23, 2007
À Flor da Pele - 2
Komisches Landschaft
Der himmel
Tief blau, wie sonst nie
Unenfreundlige wolken strömen über alles
Wasser häufen
Exotisch weiss, rein weiss
Und doch bedrückend
Die männer
Ungeheur klein
Ungeheurlich klein
Unter alles ein liebes windhauch
(Der nur dass Geschlecht ehrkent)
Sähet ein gemütlicher parfüm
Der Geboren, Gespürt und Verstorben ist
Unter unserer liebe kampf
Zwischen zersausender ohren
Die Männer giergen
Und giengen
Und giengen
Über verschiedenen, sonnen niedergänge
Als ware zukumpf bliebten nur immer
Menschen
Himmel
Sternen
Mit herden unter alles
Denn war schon der himmel
Aur noch aschegrau
Wie ein dunkler überwurf dass blaue Sogte
Manschmahl, ausahan die wolken
Wie kleinen "mulatas"
Die sich hin und her bewegten
In "slow motion"
Aber is waren immer noch
Ungeheurliche kleine männer
unter ales
Der himmel
Tief blau, wie sonst nie
Unenfreundlige wolken strömen über alles
Wasser häufen
Exotisch weiss, rein weiss
Und doch bedrückend
Die männer
Ungeheur klein
Ungeheurlich klein
Unter alles ein liebes windhauch
(Der nur dass Geschlecht ehrkent)
Sähet ein gemütlicher parfüm
Der Geboren, Gespürt und Verstorben ist
Unter unserer liebe kampf
Zwischen zersausender ohren
Die Männer giergen
Und giengen
Und giengen
Über verschiedenen, sonnen niedergänge
Als ware zukumpf bliebten nur immer
Menschen
Himmel
Sternen
Mit herden unter alles
Denn war schon der himmel
Aur noch aschegrau
Wie ein dunkler überwurf dass blaue Sogte
Manschmahl, ausahan die wolken
Wie kleinen "mulatas"
Die sich hin und her bewegten
In "slow motion"
Aber is waren immer noch
Ungeheurliche kleine männer
unter ales
Poemas de um analfabeto funcional em alemão - assumido - (que fala mas não escreve em alemão, tem algo a dizer e pede correção de quem o saiba)
Die Angst
"Wie alt wars du, wen
doch die angst angekommen is?"
Xenophon
Is gab sich in einen tag
In denen die sonne
mit alle gewahlt
gegen meinen gesich
(traurig und abgeschlafen)
Strahlte.
Dann bin ich erst aufgeweckt
Für die angst
Dann bin ich augeweckt
Für das leben
Noch kleine bube
war ich gewesen
und schon lebte da
in meinen kleinen brust
einer wunder grosse angst:
angst zu haben!
- Wie alt war ich
wen doch die angst im mich staad funde?
- weiss nicht!
Ich meine, kaum geboren, war ich,
und schon war die angst da!
"Wie alt wars du, wen
doch die angst angekommen is?"
Xenophon
Is gab sich in einen tag
In denen die sonne
mit alle gewahlt
gegen meinen gesich
(traurig und abgeschlafen)
Strahlte.
Dann bin ich erst aufgeweckt
Für die angst
Dann bin ich augeweckt
Für das leben
Noch kleine bube
war ich gewesen
und schon lebte da
in meinen kleinen brust
einer wunder grosse angst:
angst zu haben!
- Wie alt war ich
wen doch die angst im mich staad funde?
- weiss nicht!
Ich meine, kaum geboren, war ich,
und schon war die angst da!
À Flor da Pele - 3
O medo
"Que idade tinhas quando o medo chegou?"
Xenófanes de Cólofon
"Que idade tinhas quando o medo chegou?"
Xenófanes de Cólofon
Foi num dia
Quando o sol bateu
Com toda a sua força
Contra minha cara
(murcha e amanhecida)
Que despertei para o medo
Que despertei para a vida
Eu ainda era pequeno
E já tinha em meu mirrado peito
Um medo eterno, enorme
Eleito pra me meter medo.
Que idade eu tinha
Quando chegou
o medo?
Não sei.
Acho que nem nascido
Eu era ainda...
E já tive medo.
À Flor da Pele - 1
Estranha paisagem
O céu
Era de cetim azul/anil
- Fofo -
As nuvens estranhas
Estranhamentes brancas
Acúmulos de algodão
- Alvo e desfiado -
Os Homens
Pequeninos...
Pequeninos...
Debaixo de tudo
Calando um sopro de amor
No sexo pendido
Um perfume brotado, gemido e morrido
Sob os fios esparsos de cabelos desgrenhados.
Andavam
Andavam
Andavam
Multíplices ocasos
Dúplices presentes
Único futuro intransigente
Gente
Céu
Estrelas
Lares debaixo de tudo
O céu era de cinza/grei
Um manto escuro
- Churro -
As nuvens negras mulatas
Saltitando em slow motion
Pelo espaço escuro
- Churros -
Mas ainda haviam Homens
Pequeninos
Pequeninos
Debaixo de tudo.
O céu
Era de cetim azul/anil
- Fofo -
As nuvens estranhas
Estranhamentes brancas
Acúmulos de algodão
- Alvo e desfiado -
Os Homens
Pequeninos...
Pequeninos...
Debaixo de tudo
Calando um sopro de amor
No sexo pendido
Um perfume brotado, gemido e morrido
Sob os fios esparsos de cabelos desgrenhados.
Andavam
Andavam
Andavam
Multíplices ocasos
Dúplices presentes
Único futuro intransigente
Gente
Céu
Estrelas
Lares debaixo de tudo
O céu era de cinza/grei
Um manto escuro
- Churro -
As nuvens negras mulatas
Saltitando em slow motion
Pelo espaço escuro
- Churros -
Mas ainda haviam Homens
Pequeninos
Pequeninos
Debaixo de tudo.
Tuesday, April 18, 2006
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